quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Salários até R$ 5 mil serão isentos de Imposto de Renda a partir de 2026

O Projeto de Lei nº 1.087/2025 aprovado pelo Congresso Nacional por unanimidade amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para rendimentos de até R$ 5 mil mensais e descontos para quem recebe até R$ 7.350, a partir de 2026.

Pela nova Lei, trabalhadores que percebam R$ 5 mil por mês deixarão de pagar exatos R$ 312,89 mensais, o que representa um ganho anual de mais de R$ 4 mil, incluindo o 13º salário.

Até o teto de R$ 5 mil, o imposto será zerado. Já quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 terá direito a uma redução gradual, que diminui conforme o salário aumenta.

Isenção já existe para faixas de renda baixas

Na realidade, a faixa de isenção efetiva já alcança atualmente trabalhadores com salários de até R$ 3.036.

Apesar da pressão de parlamentares, a Câmara não aprovou o reajuste da tabela do IR pela inflação, que ficou congelada de 2016 a 2023. No entanto, numa tentativa de acordo do relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), o projeto aprovado na Câmara prevê que, no prazo de um ano, o governo enviará ao Congresso projeto de lei prevendo política nacional de atualização dos valores da tabela do IR válida para pessoas físicas.

A tabela do IR ficou congelada de 2016 a 2023. Desde então, a forma encontrada pelo governo para dar isenção a quem ganha até dois mínimos é reajustar apenas a primeira faixa e conceder um desconto mensal para todas as outras.

Nova isenção só vale a partir de 2026

Como a nova lei terá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo após a aprovação final no Congresso a tabela do Imposto de Renda de 2025 não mudará e os descontos aplicados na fonte sobre aposentadorias e salários seguirão os mesmos até dezembro deste ano.

A nova legislação do Imposto de Renda estabelece que, para rendas de R$ 5.000,01 a R$ 7.350, será aplicada uma fórmula para calcular a redução: R$ 978,62 - (0,133145 x rendimentos tributáveis mensais).

O IR é calculado sobre a base tributável do trabalhador, ou seja, o salário bruto menos o desconto da contribuição previdenciária ou o desconto simplificado padrão, o que for mais vantajoso.

Quem ganha mais que R$ 7.350 não terá redução de imposto.

Exemplos da redução do IR mensal sobre salários

O texto aprovado pelos parlamentares não traz uma nova tabela do IR, com as alíquotas e faixas salariais, mas mostra como calcular a redução do imposto mensal e anual nas duas faixas de renda beneficiadas.

Renda bruta

Ganho por mês

Ganho anual

Ganho em %*

3.036,00

-

-

-

3.400,00

27,30

354,89

10,44%

3.600,00

54,76

711,89

19,77%

3.800,00

84,76

1.101,89

29,00%

4.000,00

114,76

1.491,89

37,30%

4.200,00

144,76

1.881,89

44,81%

4.400,00

177,89

2.312,57

52,56%

4.600,00

222,89

2.897,57

62,99%

4.800,00

267,89

3.482,57

72,55%

5.000,00

312,89

4.067,57

81,35%

5.200,00

286,27

3.721,46

71,57%

5.400,00

259,64

3.375,28

62,51%

5.600,00

233,01

3.029,10

54,09%

5.800,00

206,38

2.682,93

46,26%

6.000,00

179,75

2.336,75

38,95%

6.200,00

153,12

1.990,57

32,11%

6.400,00

126,49

1.644,40

25,69%

6.600,00

99,86

1.298,22

19,67%

6.800,00

73,23

952,04

14,00%

7.000,00

46,60

605,86

8,66%

7.200,00

19,98

259,69

3,61%

7.350,00

0,00

0,00

0,00%

7.400,00

0,00

0,00

0,00%

7.500,00

-

-

0,00%

8.000,00

-

-

0,00%

Já a partir de 2027, milhões de brasileiros que antes eram obrigados a declarar não precisarão mais prestar contas, pois passarão a ser isentos, sem cobrança do IR na fonte. A estimativa do relator é que a desoneração da base da pirâmide de renda deve beneficiar até 16 milhões de contribuintes a um custo de R$ 31,2 bilhões no ano que vem.

Para compensar a perda com a arrecadação, a reforma do IR cria um imposto mínimo de 10% sobre a alta renda, assunto que deixarei para analisar em próxima matéria.

O projeto do IR teve apoio unânime do plenário, com 493 votos favoráveis e nenhum contrário. O apoio veio tanto de parlamentares da base aliada quanto do centrão e da oposição. Todos os partidos orientaram a favor da medida, em um desfecho classificado como histórico tanto pela cúpula da Câmara quanto por integrantes do governo.


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