Enquanto a Comissão de Finanças e Tributação das Câmara dos Deputados debate o Projeto de Lei 3.261/2025 para zerar o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais até 50 dólares, as conclusões sobre os efeitos da polêmica “Taxa das Blusinhas” são de que o tiro saiu pela culatra.
Imposta há pouco mais de um ano, no dia 1º de agosto, pela
Lei 14.902/24, a Taxa das Blusinhas cumpriu na verdade as projeções mais
pessimistas com impactos negativos na economia, no comércio eletrônico e sobre
os consumidores sobretudo de menor renda.
Na realidade, hoje pode-se dizer que a Taxa das Blusinhas
não gerou empregos, onerou pobres e reduziu arrecadação de Estados.
Compras de pequeno valor foram interrompidas
Dados de comércio exterior apontam que houve retração nas
encomendas de baixo valor importadas pela internet, como reivindicaram setores
que reclamavam da concorrência desleal dos fornecedores estrangeiros.
Imediatamente após a instituição do imposto, a tendência de aumento nessas
compras de pequeno valor foi interrompida. Houve uma queda de 43% nessas
importações até US$ 50 (cerca de R$ 270). Mas não o suficiente para impactar a
demanda interna a ponto de gerar empregos.
É óbvio que o Imposto de Importação reduziria as compras de
produtos importados de pequeno valor, especialmente pelas famílias de classe
média e baixa, mas esperava-se algum impacto positivo na economia, o que não
aconteceu.
Na realidade, a Taxa das Blusinhas de 20% sobre importações
de até US$ 50 feitas diretamente pelo consumidor, via internet, recebeu esse
apelido por inspiração do setor têxtil, que na época era o mais atingido. No
entanto, a cobrança recaiu sobre inúmeros produtos variados de baixo valor,
como cosméticos, eletrônicos e ferramentas, que não são automaticamente
substituídos.
Classe de renda mais baixa foi prejudicada
Na prática, o que ocorreu foi uma redução no acesso das
classes de renda mais baixas a produtos mais diversificados. Qualquer imposto
sobre consumo é regressivo e a Taxa das Blusinhas pesou mais na decisão de
consumo dos mais pobres. Além disso, esse consumidor acabou não tendo
alternativa de compra porque muitos produtos vendidos nessas plataformas pela
internet simplesmente não têm similar no mercado nacional.
O impacto da Taxa das Blusinhas nas contas públicas também
foi errático e marginal. Considerando a União, houve um ganho médio de R$ 265
milhões por mês, o que representa apenas 0,08% do total da arrecadação federal.
Por outro lado, reduziu a arrecadação de ICMS dos Estados
em R$ 258 milhões mensais. Em termos líquidos, a diferença a mais é de apenas
R$ 7 milhões.
Segundo a Global Express Association, que representa as
principais empresas de entrega expressa internacional, mais de 90 países têm
regras para isentar imposto de importação das remessas de baixo valor.
Diante de todos esses reveses apontados, não seria o caso
de o Brasil cancelar a Taxa das Blusinhas e manter apenas o ICMS ou o novo
Imposto sobre Valor Agregado (IVA) previsto na reforma tributária?

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