terça-feira, 16 de setembro de 2025

Conta de luz chega ao usuário recheada de impostos e encargos sociais

O consumidor brasileiro que recebe energia de uma distribuidora —o chamado consumidor cativo — não paga apenas a eletricidade que consome em sua casa ou empresa.


O brasileiro paga pela geração e distribuição de energia e pelo acionamento de termelétricas, quando necessário. Agora a conta de luz deverá ficar 3,5% mais cara após a derrubada, pelo Congresso Nacional, de vetos do Executivo a trechos da Lei das Eólicas Offshore.



Há ainda encargos setoriais, onde estão os subsídios, e a cobrança, em alguns municípios, da Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública) para custear iluminação pública e vigilância.

Paga também tributos como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

Quem atrasa o pagamento da fatura arca ainda com multa, correção monetária e juros pela demora.

Subsídios oneram consumidores

Para a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), os subsídios na conta de luz oneram os brasileiros e tiram a competitividade econômica no País, ao privilegiar alguns setores em detrimento de outros. Mesmo a tarifa social ao onerar a conta, segundo a Abradee, deveria ser custeada pelo orçamento federal e não diretamente pelos consumidores.

Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), a tarifa de energia elétrica considera três cobranças básicas: 1) de energia, transmissão e distribuição, 2) impostos e 3) os encargos setoriais embutidos no custo da energia.

Detalhamento de custos e bandeira tarifária

A maioria das contas detalha custos da energia, impostos, contribuições e a bandeira tarifária, quais sejam:

      Tusd (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição): corresponde ao valor que o consumidor paga pelo serviço de transmissão e distribuição da energia até chegar em sua casa

      TE (Tarifa de Energia): é o valor da energia em si

      Bandeira tarifária: é acionada quando as condições de produção de energia hidrelétrica no Brasil estão ruins, sendo necessário acionar as termelétricas, que custam mais

      Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública): é municipal e custeia a iluminação pública e a vigilância

      Encargos por atraso no pagamento: quando há atraso no pagamento da fatura, são cobradas atualizações monetárias, multa e juros pela demora

      ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços): é um imposto estadual, de 18%, cobrado sobre o valor total da fatura

      PIS (Programa de Integração Social)/Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público): imposto federal que custeia, por exemplo, o pagamento do abono do PIS/Pasep; a alíquota é de 0,84%

      Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social): é uma contribuição paga ao governo federal para custear gastos com saúde, previdência e assistência social; a alíquota é de 3,88%

      Encargos setoriais: são subsídios que compõem o custo da energia, mas que não estão detalhados na tarifa; neles se encontram, por exemplo, a tarifa social e os incentivos para o uso de energia solar e eólica

Custo da energia cerca de 30%, carga de impostos a mais de 18%

Cada um dos componentes cobrados na conta de luz representa uma parcela em percentual de quanto o consumidor está pagando por cada item. 

O percentual médio de cada item cobrado no País é o seguinte:

  •        Energia: 30,41%
  •        Distribuição: 26,12%
  •       Transmissão: 10,1%
  •        Encargos setoriais: 15,23%
  •        Impostos: 18,14%

Fontes: Enel Distribuidora, Abrapee e FNCE

Bandeiras tarifárias

Por sua vez, as bandeiras tarifárias foram criadas para custear a produção de energia em períodos de seca.

Bandeira verde: não há acréscimo na conta porque as condições de geração de energia são favoráveis

Bandeira amarela: indica condições de geração menos favoráveis; a tarifa tem acréscimo de R$ 0,01885 a cada kWh (quilowatt-hora) consumido

Bandeira vermelha patamar 1: a produção de energia fica mais difícil e mais, com acréscimo de R$ 0,04463 a cada kWh consumido

Bandeira vermelha patamar 2: as condições de geração são ainda mais caras; com isso, se acrescenta R$ 0,07877 a cada kWh consumido

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