sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Os grandes desafios da reforma tributária para as empresas a partir de 2027


A entrada em vigor da reforma tributária prevista para começar em 1º de janeiro de 2027 elimina milhares de legislações conflitantes, mas a transição ao novo regime pode ter custos elevados, exige planejamento e pode ter fortes impactos sobre preços e fluxo de caixa.

O primeiro grande desafio a enfrentar pelas empresas é a longa transição e a obrigação de operar em dois sistemas simultaneamente para recolher tributos estaduais e municipais, até 1º de janeiro de 2033.

Impacto do split payment

Outro grande desafio será administrar o impacto do split payment da reforma no fluxo de caixa. A implantação do novo sistema automático de arrecadação será opcional e apenas para transações entre empresas em seu início em 2027 (mas que o Governo já transferiu para 2028).

Com o "split payment", a empresa não poderá mais "fazer caixa" com o valor do imposto pago pelo cliente antes de repassá-lo ao fisco, já que o banco fará o repasse direto aos cofres do governo.

Carga tributária sobre setor de serviços

Haverá também aumento de carga tributária principalmente para o setor de serviços. A tendência dessa reforma tributária é aumentar a carga fiscal média para o setor de serviços, enquanto a indústria e a agropecuária devem perceber uma redução.

Os produtores e os consumidores vão arcar ao mesmo tempo com uma elevada alíquota de impostos sobre o consumo, calculada atualmente em 20%, na média, chegando como previsto a quase 30% pelas regras da reforma.

Outro fator vital gerado pela reforma tributária são os investimentos que as empresas terão de fazer em tecnologia e sistemas de informática.

Alíquota da CBS sem definição

Como se não bastasse tudo isso, a alíquota da CBS para 2027 só será conhecida em outubro e com isso nem todos os documentos fiscais têm formato definido, pois haverá nova versão do regulamento.

Além disso, as contestações judiciais das empresas com certeza vão sofrer decisões divergentes sobre CBS e IBS, apesar de haver proposta para unificar as decisões.

Com o fim ainda de benefícios fiscais decretado pela reforma tributária, muitos governadores dependerão de um fundo de desenvolvimento para evitar a fuga de empresas de regiões menos desenvolvidas para grandes centros.

Para as empresas do Simples Nacional, a reforma legará uma gestão tributária mais complexa e custosa para quem optar pelo novo modelo híbrido.

Na realidade, a simplificação de tributos proposta pela reforma, ao invés de simplificar, vai é mesmo deixar mais complexa a situação para administrar dois sistemas ao mesmo tempo.

Nenhum comentário: