No Brasil, a taxa média de imposto sobre a indústria de
transformação entre 2010 e 2021 foi de 12,88%, enquanto a participação média do
setor no produto total a preços básicos — ou seja, o PIB excetuando-se os
impostos — ficou em 12,78%.
“Estes resultados sugerem que a incidência de impostos
elevados nos produtos da indústria de transformação brasileira reduz sua
competitividade progressivamente, reduzindo ou mantendo reduzida sua
participação no produto da economia”, afirma um estudo comparativo realizado
pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
“Sistemas tributários que oneram desproporcionalmente a produção industrial
tendem a estar associados a menor peso manufatureiro no produto agregado”, diz
o estudo.
A menor participação desde 2020 na pandemia
Mais recentemente, a fatia da indústria de transformação no
PIB brasileiro caiu de 14,1% em 2024 para 13,7% em 2025, menor participação
desde 2020, ano da pandemia de covid-19, quando essa porção era de 12,3%, de
acordo com as mais recentes informações das Contas Nacionais Trimestrais
divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há 20
anos, em 2005, a indústria de transformação respondia por uma fatia de 17,4% do
PIB do Brasil.
Ou seja, os economistas do Ibre/FGV concluem que, quanto
menor a taxa de imposto sobre os produtos industriais, maior é a fatia da
indústria no PIB.
Participação cai quanto imposto é alto
“Você tem um problema de estagnação da indústria de
transformação, de perda de competitividade, que tem a ver com os impostos. No
resto do mundo acontece isso: quando você tem imposto alto, a participação do
setor no PIB é menor. Nos países que têm imposto baixo, a participação é maior.
Há uma relação entre imposto e desindustrialização”, disse Claudio Considera,
pesquisador do Ibre/FGV, autor do artigo em parceria com Ana Letícia Cardoso
Branco.
“O mecanismo é direto: impostos sobre produtos elevam os preços relativos dos manufaturados, comprimem margens, desviam demanda para outros bens e reduzem o retorno ao investimento industrial em relação a outros setores da economia”, reforçaram os autores.
Outros países
Já na Alemanha, a taxa de imposto foi de 6,10% na década de
referência, com o setor respondendo por uma fatia de 22,04% no PIB alemão; na
Áustria, a taxa de imposto foi de 6,47%, enquanto a participação no PIB do país
ficou em 19,30%; na Itália, a taxa de imposto foi de 7,04%, ante uma fatia no
PIB italiano de 16,17%.
Quanto aos países latino-americanos, o México tinha uma
taxa de imposto da indústria de transformação de apenas 3,10%, e a fatia do
setor no PIB mexicano era de 19,74%; a Colômbia registrou taxa de imposto de
8,71% e fatia no PIB de 20,12%; no Chile, a taxa de imposto foi de 10,35%, com
participação de 10,70% do setor no PIB.
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